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A era do grátis

O futuro será grátis, dis Chris Anderson, editor da revista Wired

O futuro será grátis, diz Chris Anderson, editor da revista Wired

O livro “Free”, do jornalista Chris Anderson, editor da maior revista sobre T.I do mundo, a Wired, fala sobre o futuro dos negócios. Ele defende que a evolução das ferramentas tecnológicas nos permite prevê um mundo do grátis.

A idéa do grátis, defendida não só por Anderson, mas por diversos gurus da tecnologia, pode até parecer muito louca para ser verdade, mas as operadoras de telefonia nos mostram o contrário. Os serviços podem compensar a compra dos equipamentos em diversas situações. Vejam os planos de telefonia celular, por exemplo, tirar um Iphone de graça já não é impossível.

Claro, nem tudo será de graça, como também defende Anderson, alguém irá lucrar com isso, mas muitos serviços serão gratuitos, pode ter certeza. Até a Microsoft está perdendo essa queda de braço iniciada por outra gigante, o Google, em resposta ao movimento opensource. Tanto que anunciou uma versão gratuita e online do novo pacote Office 2010.

Para Anderson o maior exemplo é, inclusive, o próprio Google. Com mais de 100 produtos em seu catálogo, a maioria é gratís, como Gmail, Google Docs, Youtube.

Já disponível para a venda, a versão americana da editora Hyperion custa R$ 49, no site da Livraria Cultura. Para quem gosta de comprar na Amazon.com, o preço é de U$ 17,81. No Brasil, a edição será da Campus-Elsevier e deve ser distribuída para as lojas ainda em julho, mas sem preço definido. Uma coisa, porém, é certa. Não será grátis!

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Entrevista: Eduardo Peixoto, executivo-chefe de negócios do CESAR

 
Eduardo Peixoto é executivo-chefe de negócios do C.E.S.A.R e idealizador do projeto Tocaê

Eduardo Peixoto é executivo-chefe de negócios do C.E.S.A.R e idealizador do projeto Tocaê

Executivo-chefe de negócios do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), Eduardo Peixoto (htttp://twitter.com/ecpeixoto) é um dos idealizadores do projeto Tocaê, de venda de faixas musicais através de Bluetooth para celulares. Nessa entrevista ele avalia a briga entre a livre distribuição de conteúdo pela web e as gravadoras, além de opinar sobre a venda do Pirate Bay, o futuro da distribuição musical, e faz um prognóstico: “A indústria como é hoje vai desaparecer ou tornar-se irrelevante”.

 Boa Leitura!

 

Como o sr. avalia o modo com que a internet é utilizada por muitas pessoas para troca de arquivos como músicas, vídeos e prgramas de forma ilegal. Sem pagar direitos autorais?

O senso comum diz que download “ilegal” representa perda de receita, uma venda a menos para para quem produziu aquele conteúdo. Só senso comum! Bandas como Radio Head e Cold Play lançam novos discos com downloads gratuitos por algumas semanas. Veja o caso dos brasileiros Calypso, que distribuem gratuitamente, para cópia e venda, CDs no mercado “pirata” semanas antes dos shows.

Com livros já acontece em parte o mesmo. O google/books, por exemplo, disponibiliza de forma legal capítulos de livros, para serem “experimentados”, antes de comprados. O site Hulu (ainda fechado para o Brasil) agrega conteúdo produzido para os principais canais de TV americanos e disponibiliza para sua audiência de forma totalmente grátis (o serviço é suportado com anúncios como na TV aberta). Os modelos mudaram, a economia na era da internet é outra!

Pode existir um fim nessa disputa entre a indústria e os defensores do livre trânsito desse conteúdo?

Eu acredito que a indústria como é hoje vai desaparecer ou tornar-se irrelevante.

Existe algum lado que esteja ganhando essa briga?

Conteúdos culturais, uma vez digitalizados, vão cair na rede e serão distribuidos “gratuitamente”. E isso é irreversível. Os modelos de monetização precisam ser repensados. Também não acredito que apenas um modelo vá sobreviver. Cada produto cultural deverá encontrar substitutos para as vendas físicas tradicionais. Elas serão marginais no médio/longo prazo.

Acredita que exista algum modelo de negócio, no momento, que pudesse solucionar essa disputa?

Existem vários que estão dando certo. O Calypso é o melhor nacional que eu conheço. A receita vem de shows! O resto é percebido como divulgação do conteúdo. Outro exemplo é Tecnobrega do Pará, que não está nem aí pra venda de CDs. A indústria de software foi a primeira a sofrer com cópias ilegais, e esta se re-inventando com SaaS (Software as a Service) e não por este motivo.

Como você vê sites como o Itunes, Amazon.com, Baixahits, que vendem músicas por unidade? Porquê, apesar de terem relativo sucesso, não conseguem fazer com que boa parte dos internautas mudem o conceito de que “baixar de graça é melhor”?

Não acho que o pensamento seja que baixar de graça é melhor. Penso que é uma questão da oferta. As lojas de música virtuais entregam música por um custo infinitamente menor do que quem distribui mídia física. No entanto, o preço por faixa permanece praticamente o mesmo. Temos experiência na distribuição de outros conteúdos culturais, que quando o preço cai para a metade, a compra aumenta quatro vezes.

E os projetos de Software Livre? São uma saida interessante?

Os projetos de software livre normalmente evoluem pra modelos subsidiados (alguém ou produtos mais completos pagam pelo uso de produtos mais simples). Existem algumas experiências ocorrendo até para construção de hardwares complexos como telefones celulares. É uma alternativa interessante.

Sites como o Pirate Bay, recentemente negociado, vão deixar de existir?

Nunca!

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